segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

De repente

Catálogo de Erros
Então você acorda num sábado, domingo ou feriado qualquer, no meio da manhã. Foi dormir tarde, mas um bom sono. Sensação de saciedade, de disposição física e mental. Vontade de fazer planos e pensar grande. Sabe aquelas coisas todas que pareciam impossíveis? Pois agora são todas realizáveis.

Então você se embriaga, se droga, se deixa levar por pensamentos e sensações. Estranhos. E centenas, milhares de imagens passam por sua cabeça. E você não consegue separar as reais das imaginárias. Reais? Imaginárias?

Você acorda numa manhã qualquer de um fim de semana qualquer. E, de repente, se dá conta de que foram dez, vinte, trinta anos. Passaram, todos, e você esperando passar. Toda escolha é uma perda. Todo fim, um recomeço. Mas, e quando não há fim? Há recomeço?

Todos querem que você confesse, mas você não cometeu nenhum crime. Pensando bem, há, sim, um crime. O crime que você cometeu quando não quis cometer crime nenhum. Então, ficou tudo como está, como foi, como será. Assim. Dessa maneira. Assim: dessa forma pré-moldada.

Voz calma e fria, imagens claras e azuis. Avermelhadas. Alaranjadas de final de tarde. Azuladas de início de noite em horário de verão. É verão, dizem, por aqui. Mas do outro lado de lá, é tempo de branco e frio. Serenidade. Tempo parado. Contemplação. (Constipação, pra dar graça às coisas).

Mas tudo passa mais rápido aqui nesse calor de luzes fortes. De cores que carregam em si o peso de coisas irrealizáveis. De clima quente e ressequido. De catástrofes pessoais e diárias. Perenes.

Esse mundo, nunca mais.
Postar um comentário