quarta-feira, 28 de março de 2007

Ser brasileira é teta

Notas, impressões, versões e alguma verdade
Quando a brasileira Ana Laíse Ferreira avistou o príncipe Willian em uma boate na Inglaterra, deve ter pensado: "sem noção!", assim mesmo, com cedilha. Jovem, 18 anos, estudando inglês no Reino Unido - seu sonho - e se divertindo em uma casa noturna. Ótimo! A boate é a mesmo frequentada por um príncipe, ainda que os príncipes encantados não sejam mais os mesmos: "sem noção!"
Ana Laíse nada mais fez do que muita gente naquela situação faria: tietagem. A mão no peito ou o peito na mão não foi premeditado. Mas, com toda a certeza, ela não imaginava um décimo do que o "acidente" se tornaria lá e aqui.
Lá, porque os jornais ingleses são professores na arte do sensacionalismo. Aqui, porque somos mestres em meter o bedelho na vida alheia. Hoje a Gol anunciou a compra da Varig. Mas a pergunta deixada para participação ao vivo dos telespectadores no Jornal do SBT era: "A foto da estudante com o príncipe Willian prejudica a mulher brasileira?" O assunto consumiu inúmeros minutos em todos os outros telejornais, rádios e imprensa escrita. Esses somos nós, os palpiteiros.
Particularmente, penso que cada um tem o direito de fazer o que bem entender. O que me parece ser o único aspecto questionável nesse fato não é o ocorrido em si, mas o mau juízo que nós fazemos da imagem que os estrangeiros têm do Brasil, especialmente da mulher brasileira. Ou seja: se achamos natural tietar uma celebridade internacional, se vangloriar pras amigas e divulgar em jornal uma imagem nossa pouco comportada, devemos considerar natural também que nos achem, por esse mundo afora, os terráqueos mais saidinhos, salientes do Planeta.
Achei ridículo o scrap enviado por Ana a uma amiga, dizendo algo como "e ele pôs a mão no meu peitooooooooooooo, sem nossao (sic)". Com certeza, se recebesse um simples assobio de um operário, ainda que inglês, a reação seria outra. Mas, como disse, se ela acha o máximo o príncipe colocar a mão em seu peito e virar celebridade mundial da noite pro dia, quem sou eu pra criticar?
Só não me venham reclamar depois se os estrangeiros embarcarem em promissores pacotes turísticos para o Brasil pensando que, aqui, "pegar brasileira é mole, é teta".
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