terça-feira, 24 de abril de 2007

Formaturas, padrinhos e cara-de-pau

Notas, impressões, versões e alguma verdade
Assim que cheguei a Goiânia, recém-formado, apenas quatro dias após minha colação de grau, estranhei uma prática logo identificada entre novos amigos que estavam se formando: a escolha dos homenageados - padrinho, nome de turma, paraninfo - levando-se em consideração a contribuição financeira que eles poderiam dar.
Pode ser que nesses dez anos tenha havido alguma mudança no curso de jornalismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL), mas, na minha época, essa questão nem era discutida porque não existia. Os homenageados eram, realmente, homenageados e não financiadores da festa - no meu caso, uma festa bem simples devido às dificuldades financeiras de uma turma de apenas 13 formandos. Nossos homenageados foram escolhidos entre professores e profissionais de renome no jornalismo londrinense. Nenhum deu um centavo sequer porque, repito, não passava pela cabeça de ninguém essa questão.
Não sei se esse comportamento era exclusivo de estudantes de jornalismo que, desde cedo, aprendem - alguns nem tanto - que devem pemanecer distantes de amizades ou favores que possam comprometer o exercício da profissão. Mas não me lembro de ter visto, entre meus amigos de outros cursos, nenhum pedido de ajuda a homenageados.
Hoje o Diário da Manhã traz uma matéria comprovando essa prática deplorável em Goiás. As comissões de formatura não têm nenhum pudor em afirmar que escolhem os homenageados de acordo com a ajuda financeira que eles podem dar. Destaque para a vice-presidente da comissão de formatura do curso de jornalismo da Universidade Católica de Goiás (UCG), Diva Ribeiro, de acordo com a reportagem: "(...) afirma que ainda não escolheu as pessoas que vão compor a mesa diretora porque a equipe procura padrinhos políticos 'que podem dar um valor maior'".
A matéria de Tássia Galvão e Hacksa Oliveira lembra também um caso que criculou bastante na internet no ano passado. O professor Rubens Araújo de Oliveira foi "desconvidado" pelos formandos de administração, turismo e jornalismo da Univesidade Estácio de Sá de Santa Catarina depois que se dispôs a colaborar com "apenas" R$ 1 mil para a comissão de formatura. O mais incrível nessa história é que os brilhantes formandos enviaram um e-mail para o professor dizendo que optariam por outro homenageado "cujo valor disponibilizado amortizará o custo relativo ao local da colação de grau".
O que esperar de profissionais como esses?
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