quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Quem errou no acidente da Tam?


Notas, impressões, versões e alguma verdade
A reportagem de capa da Folha de S.Paulo de hoje, com os dados preliminares das caixas-pretas do Airbus-A320 da Tam acidentado no último dia 17, indica duas coisas: a) que é provável um erro do piloto (não descartada a hipótese de falha mecânica); e b) que as conclusões precipitadas quase sempre são equivocadas. Abaixo, pra quem não teve acesso, a íntegra da reportagem que furou os outros grandes jornais do país.
Caixa-preta do Airbus indica falha de piloto
Computador registrou falhas na operação da alavanca de aceleração das turbinas; hipótese de erro mecânico não está descartada
Sem controle, o piloto tentou parar o avião pressionando os dois pedais à sua frente, freando os pneus do trem de pouso

FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A caixa-preta do Airbus-A320 da TAM que caiu em São Paulo no dia 17 indica que houve erro do piloto na operação da alavanca de aceleração das turbinas, além de captar o desespero dos pilotos em tentar frear o avião no solo. Embora menos provável, uma pane no computador do avião também não pode ser descartada, isoladamente ou em conjunto com o provável erro humano.

A Folha teve acesso aos dados, que chegaram ontem ao Congresso em um CD-ROM com cerca de 60 arquivos de dados e áudio.

A primeira falha, cuja hipótese havia sido antecipada pela Folha na semana passada, ocorreu pouco antes do pouso, quando o manete de controle do motor direito foi mantido numa posição de aceleração. Deveria estar em ponto morto, como o outro manete.

Ao pousar, os sistemas eletrônicos interpretaram esse procedimento como um desejo do piloto de acelerar. As duas turbinas passaram a acelerar automaticamente. Os freios aerodinâmicos não foram acionados. O freio automático dos pneus também não funcionou.
Pode ter contribuído para a aceleração anormal um segundo erro: apenas o manete da turbina esquerda foi colocado na posição de reverso máximo. Essa turbina estava com o reversor, equipamento que auxilia a frenagem ao inverter o fluxo de ar na turbina, funcionando -a outra, não.

Mesmo com o reversor inoperante na turbina direita, o procedimento correto deveria ter sido colocar ambos os manetes em reverso. Mas o direito permaneceu acelerando, segundo o registro.


Leia a reportagem completa na Folha.
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