sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Nuvem negra

Notas, impressões, versões e alguma verdade

O apresentador até tentou disfarçar, mas foi visível seu constrangimento. No SBT Brasil de ontem, naquele sofrível quadro em que telespectadores respondem ao vivo a uma pergunta do telejornal, Carlos Nascimento foi vítima da onda politicamente correta a que vimos, todos, sendo submetidos nos últimos anos. A pergunta era se o problema do Brasil é o pessimismo, explicação atribuída ao presidente Lula para os problemas do país. Ao comentar a resposta de um palpiteiro, que afirmava serem os brasileiros realmente pessimistas, Nascimento disse: "Então é isso que forma aquela nuvenzinha negra em cima do país?". E imediatamente consertou: "Quero dizer, aquelas nuvens de chuva...".

Está claro que o apresentador ficou com medo de sofrer uma represália dos grupos de defesa dos direitos dos negros, ops, afrodescendentes, que sempre procuram polemizar com declarações tão banais quanto esta.

O fato me fez lembrar outro, ocorrido com um amigo em Goiânia. Ao dar o título de "Tapete preto" a uma reportagem sobre asfalto, foi severamente repreendido pela chefe, ativista de movimentos negros, jornalista competente, mas de dificílima convivência (já tivemos alguns contatos profissionais).

Situações como esta beiram ao ridículo e em nada contribuem para a discussão dos problemas raciais ainda existentes no Brasil. Não são neologismos simpáticos, como "afrodescendentes" (tenham dó), que vão contribuir para reduzir os abismos sociais brasileiros que, antes de serem classificados como raciais, deveriam sê-lo como a realidade mostra: um país com uma imensidão de pobres pretos e brancos. A situação está russa, ops, feia, ops, difícil para todos.


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