segunda-feira, 3 de setembro de 2007

João Feliz

Catálogo de Erros

Daqueles que de uma só vez viram espírito adentro o copo de aguardente. De coragem, não precisa de alarme e espada-de-são-jorge plantada na porta de casa. Medo, só de doença, de castigo de Deus.

A vida assim, das seis às seis, domingo de sol. Costela e cerveja. Espírito adentro o copo de aguardente sem cara de vômito.

Não há o assalto na porta de casa chegando de carro, o seqüestro-relâmpago saindo do banco, conta só de poupança. Sem medo de tiro, só de doença, castigo de Deus. Dos gritos, choramingos da mulher. Aguardente sem cara de enjôo.

A tranca no portão, um pedaço de arame. Cachorro não serve pra nada, osso de frango, sacola de lixo rasgada na beira do córrego. Multimistura pro moleque, a assistente social ensinou. Sem boletim da escola, sem auxílio do governo, só dá pra cachaça, sem cara de nojo.

Cigarro picado, torresmo fiado, a conta é alta pro salário mínimo. Dor de dente, extraído no postinho, deputado preocupado com a comunidade. Próximas férias, bico na reforma da agência de turismo, Paris e Veneza no cartaz, talvez descer à praia no domingo, excursão do bairro.

Não duvida da vida. Ano que vem tudo melhora, superávit primário aumentou no Jornal Nacional, novo ministro. Sartre(?), Rimbaud(?) na página rasgada da revista, pagodinho com churrasco e cerveja.

Dúvida na vida? Aguardente espírito adentra. Torresmo ou salsicha?
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