quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Pensando aqui com meu umbeagle. Ou por que o Instituto Royal pode ser uma ONG e outras entidades, não

Não me manifestei em relação ao assalto ao Instituto Royal. Não teria muito o que dizer. Sou defensor ferrenho dos animais, tenho cinco cachorros em casa, todos retirados das ruas, além de outros tantos tratados e já encaminhados para a adoção. Porém, não gostaria de fazer uma cirurgia sem anestesia - nem com ela. Portanto, foi difícil não entrar na defesa fácil dos beagles, fingindo não ser comigo essa história toda de medicamentos e avanços da medicina. Seria contraditório em qualquer lado que estivesse.

Isso posto, uma coisa deve ficar clara, porém: sou veementemente contra testes em animais de qualquer coisa que não seja absolutamente essencial, com a devida regulamentação. Mesmo que seja aparentemente essencial como os implantes dentários em beagles - sempre eles - realizados em algumas faculdades, sou contra. Amputar o braço de um macaco para testar uma nova prótese? Contra, absolutamente. Quanto a testes de cosméticos, então, como a inundação de olhos de coelhos com pós compactos para ver se provocam alergia, não preciso nem comentar, não é? Mas admito: em alguns casos, talvez, ainda sejam necessários os testes - não me aprofundo nisso por não saber.

Mas o que eu gostaria de esclarecer é outra coisa: não faço juízo de valor da ação dos ativistas que invadiram o Instituto Royal. Certos ou errados, agiram de acordo com o que acreditavam e, em estando errados, que arquem com as consequências. Muita gente dita importante e inteligente por aí, no entanto, não hesitou em taxá-los de bandidos etc e tal. É a mesma turminha da extrema direita e pensamento essencialmente individualista - aqueles que não reconhecem nem aceitam a união de pessoas por uma causa, seja sob qual forma for.

O interessante é que essa mesma turminha abomina outra coisa: as organizações não governamentais. Para eles, são absolutamente desnecessárias pois, como já vi e ouvi muitos dizerem, elas usam e abusam de dinheiro público e, mais uma vez, unem pessoas quando elas deveriam agir individualmente - é o que defendem os tais modernos pensadores. Só, meus caros, que o Instituto Royal, que enche as burras com o dinheiro da indústria farmacêutica de um lado e público de outro, nada mais é do que uma ONG, mais precisamente, uma Oscip, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público. Ora, ora, ora. Então, nesse caso, vale?

Quanto a isso, ninguém deu um pio, um latido, um grunhido sequer. São contra as ONGs, mas dá mais Ibope falar mal dos ativistas. Puro jogo de cena. Ou desconhecimento. Ou pilantragem intelectual mesmo.
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