sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Com duas décadas de atraso, Ministério da Saúde vai estudar a fosfoetanolamina, o medicamento que pode ser a cura para o câncer

Gilberto Chierice: má vontade (F: reprodução EPTV)
O Ministério da Saúde anunciou ontem a criação de um grupo de trabalho para estudar a fosfoetanolamina, substância desenvolvida na USP e que é apontada pelos autores da pesquisa - e alguns pacientes - como a cura para alguns tipos de câncer. Alvo de muita polêmica nas últimas semanas, a substância não é considerada um medicamento por falta de estudos sobre a atuação no corpo humano. Pacientes, porém, vêm obtendo autorização judicial para acesso às "pílulas do câncer".

Alvos de críticas dos autores da pesquisa, especialmente do coordenador dos estudos, o professor de química aposentado Gilberto Chierice, os órgãos públicos decidiram criar uma equipe multidisciplinar para o estudo da substância, que "marcaria" as células doentes, informando ao sistema imunológico que elas devem ser eliminadas.

“Estamos colocando à disposição do professor responsável pela síntese dessa molécula a possibilidade de submeter à fosfoetanolamina a todos os protocolos para verificar se a substância é ou não eficaz e por fim a essa celeuma. Por isso, a recomendação do Ministério da Saúde é que as pessoas não façam uso dessa substância até que os estudos sejam concluídos”, orienta o ministro da Saúde, Marcelo Castro.

O grupo contará com o apoio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para orientar os pesquisadores na elaboração dos protocolos clínicos e documentações necessária e deverá contar com o apoio do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para a realização de estudos clínicos e também da Fiocruz. Para isso será elaborado um plano de trabalho que prevê desde a caracterização da molécula, passando pelo desenvolvimento da formulação, produção de lotes de medicamentos experimentais seguindo as Boas Práticas de Fabricação (BPF) da Anvisa e realização de estudos pré-clínicos, ensaios clínicos e estudos de farmacovigilância, informa o Ministério.

“A grande preocupação do Ministério da Saúde é que as pessoas deixem de realizar o tratamento adequado e que tem sua eficácia comprovado e passem a usar um medicamento que não tem cientificamente uma comprovação de benefícios e efetividade comprovada”, alertou o ministro da Saúde, Marcelo Castro.

A previsão é de que o grupo tenha um prazo máximo de 60 dias para apresentar o plano de trabalho das fases de desenvolvimento do projeto. Os nomes dos integrantes do grupo devem ser indicados nos próximos dias.
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