terça-feira, 23 de maio de 2017

Grampeado pela PF e fora da Veja, Reinaldo Azevedo já defendeu adversário em situação semelhante


O grampo da Polícia Federal que provocou a saída do colunista Reinaldo Azevedo hoje da Veja, após 12 anos na publicação, é o segundo exemplo em tempos recentes de um atentado à liberdade de imprensa.

Para quem não acompanhou, Azevedo foi flagrado em conversas com Andrea Neves, irmã de Aécio Neves, em que criticaram a Veja e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A informação foi revelada pelo site BuzzFeed. Constrangido, Reinaldo Azevedo pediu demissão da Veja.

Em seu último post, criticou o grampo (no telefone de Andrea) e a operação Lava-Jato:

"6: em qualquer democracia do mundo, a divulgação da conversa de um jornalista com sua fonte seria considerada um escândalo. Por aqui, não;

7: tratem, senhores jornalistas, de só falar bem da Lava Jato, de incensar seus comandantes;"

Está certo Reinaldo. Atos como esse servem apenas para intimidar jornalistas. Ele mesmo havia criticado a condução coercitiva e a quebra de sigilo do blogueiro Eduardo Guimarães por Sérgio Moro em março, mesmo sendo ferrenhos adversários. Moro reconheceu o erro e anulou as provas obtidas com Guimarães.

Vale ficar alertas, colegas. Você pode até não concordar com a maioria das bobagens que Reinaldo fala – ou Guimarães, dependendo do ponto de vista. Mas não queira ser você e próxima vítima.
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