sexta-feira, 10 de agosto de 2007

(Re)leituras

Notas, impressões, versões e alguma verdade

Ficar sem televisão em casa, como estou há quase dois meses, é ruim em apenas um momento: naqueles 15 minutos antes de dormir, quando as vozes vão ficando mais distantes até sumirem completamente, auxiliadas pelo sleep. O lado bom é que sem tevê você começa a se ocupar de coisas bem mais interessantes e que muitas vezes não faz pela comodidade que é ter uma distração audiovisual tão à mão.

Assim, tomei coragem de encarar as quinhentas e tantas páginas de Um Cativo Apaixonado, meu primeiro livro de Jean Genet, em que ele relata suas experiências na Palestina e entre os Panteras Negras.

O estilo me lembra Henry Miller – meu escritor preferido -, apesar de mais rebuscado. Genet me fez chegar à conclusão de que romances autobiográficos, em que impressões, dilemas e filosofias do autor são intercalados com os fatos relatados, são mesmo minhas leituras preferidas.

Não sei se é assim pra todo mundo, mas pra mim, alguns livros valem por um curso universitário. Ou anos no analista. Sempre li muito quando pequeno e, por exemplo, sou até hoje apaixonado pela Grécia, país que ainda quero conhecer, graças a Os Doze Trabalhos de Hércules, de Monteiro Lobato.

Mas um marco na minha compreensão de mundo, ainda que, talvez, apenas meu mundo interior, foi A Idade da Razão, romance de Jean-Paul Sartre, que li em 1994. O livro inaugura a trilogia Os Caminhos da Liberdade, composta ainda de Sursis (que li há uns cinco ou seis anos) e Com a Morte da Alma, este último ainda aguardando um estado melhor de espírito, porque é preciso fôlego pra ler Sartre.

Eu não sei absolutamente nada de teoria filosófica e sei, inclusive, que o Existencialismo é tido como uma filosofia menor, restrita a seu tempo. Mas eu gosto. E acho, inclusive, que Henry Miller foi um existencialista. Com uma grande diferença: ele realizou tudo o que quis realizar, o que os existencialistas sartreanos não conseguem.

A grande dúvida é: onde é que eu me encaixo?
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