quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Pais assassinos, em nome de Deus

Por mais que eu tenha consciência da falta de limites da imbecilidade humana, ainda me surpreendo algumas vezes. Ontem, uma menina de nove anos internada na UTI de um hospital de Curitiba poderia ter sido salva com um transplante de coração. O órgão, doado pela família de um adolescente morto por atropelamento em Maringá, era absolutamente compatível com a criança. O coração chegou a ser trazido para Curitiba, mas na última hora a família desistiu do transplante porque sua religião não permite transfusão de sangue.

Que um adulto seja inconseqüente, irresponsável e imbecil a ponto de preferir morrer a receber sangue, sejam lá quais forem suas razões, tudo bem. Acredito que todos tenham o direito de decidir sobre sua vida, mesmo com os motivos mais absurdos. Agora, privar uma criança da vida por uma crença que é sua, a meu ver, ultrapassa a mera falta de responsabilidade. Trata-se de assassinato consentido.

Provavelmente são os mesmos idiotas que reprovam o aborto em situações de risco para a mãe ou nos casos de impossibilidade de sobrevivência do feto.

Há alguns anos a mesma sandice ocorreu em Goiânia. Lá, o hospital ou o Ministério Público, não me lembro, entrou na justiça contra os pais de um bebê e obteve a autorização para o transplante. Com a demora, porém, a cirurgia não pôde ser realizada e o bebê morreu. A cadeia seria pouco para esses pais assassinos.
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