Era final de 2006 ou começo de 2007. Eu tinha passado por uma experiência profissional traumática com a falência da Avestruz Máster (Rádio Novelo contou) e não sabia bem pra onde ir.
Eu parei o velho Ford Ka em uma rua de Campinas (bairro tradicional de Goiânia) e, com um cartão telefônico recém adquirido, liguei para o Ricardo - casado com minha amiga de turma da UEL e me ofereci pra uma vaga de repórter que ele tinha no projeto de implantação da TV Assembleia do Paraná.
Ele: "Paulo, estamos começando, o salário não é bom".
Era o dobro do piso de jornalista em Goiás, que eu ainda recebia com dez anos de profissão - colegas ainda recebem isso hoje por aqui.
Fui tentar a vaga, deixei tudo aqui em Goiânia. Tudo mesmo. Até um lugar a que não poderia mais voltar. Tudo cabia no porta-malas do meu Ford Ka, como já contei. Menos meus sonhos e minha então companheira.
Fui morar em um flat gelado, asséptico como Curitiba. Muito gelado. E, algumas horas depois, um susto: "você veio já de mudança?", me questionou meu futuro patrão.
Foi assustador. Deu tudo certo. Ela, minha então companheira, foi pra Curitiba antes do combinado, moramos no flat gelado e, logo depois, tivemos nosso lindo chalé curitibano - amigo Dalti ajudou nisso, imagino que se lembre.
Curitiba me deu experiência, um filho, amor ao frio e amigos pra vida inteira. A adoração à araucária, a mais bela de todas as árvores.
Me mostrou o valor da amizade. Pois a Fer, recém chegada de Nova York pra compor aquela equipe que hoje destila seu talento pelo mundo, um dia, poucos depois de me conhecer, naquela bela rua São Francisco, de paralelepípedos, em frente à GW, diante de minhas lamentações, me ofereceu dinheiro emprestado pra eu terminar o mês. Ela mal me conhecia.
Viramos amigos, sócios (sim, Dona Doida foi uma homenagem a ela), brigamos e nos amamos até sua injusta partida.
Todos partimos, de uma forma ou de outra. E hoje isso é história e boa lembrança.
Hoje, seguimos levando adiante o que nos derrubou e nos fez levantar. As lembranças de última hora, os momentos de tanto, tanto tempo atrás.
Hoje, levamos o que fomos.

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