quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Vão-se os dedos, ficam os anéis

Notas, impressões, versões e alguma verdade
O dia todo hoje foi de enorme expectativa em relação a dois fatos relacionados: o anúncio do secretariado do governador Alcides Rodrigues e a provável exoneração dos servidores comissionados. No início da noite, a novidade que já era velha nos meios políticos e jornalísticos: apenas dois secretários foram anunciados, na verdade, confirmados no cargo. Milca Pereira permanece na Educação e Cairo de Freitas (ex-secretário de Saúde de Maguito Vilela, o adversário de Alcides na última eleição) na Saúde.

Em relação aos comissionados, o governo manteve gerentes e superintendentes e dispensou os de nível hierárquico menor. Ou seja: à primeira vista, demitiu quem trabalha e manteve os que detêm cargo político.

As gerências e superintendências do serviço público são uma invenção do ex-governador Marconi Perillo. A intenção, ao que parece, era mesmo valorizar o servidor. Mas, de fato, os novos cargos passaram a ser ocupados pelos indicados políticos. Muitos deles raramente aparecem no trabalho. Outros, quando vão, não têm o que fazer. Basta um passeio pelos belos e modernos corredores do Palácio Pedro Ludovico, o centro administrativo do estado, para verificar a enorme quantidade de pessoas paradas, ou melhor, em intensa confraternização, para comprovar o bom clima que permeia o serviço público goiano.

Hoje, a servidora que apareceu chorando no telejornal noturno era o retrato das práticas políticas brasileiras. Recepcionista do Vapt-Vupt, o órgão que centraliza vários serviços do estado e um dos poucos que funcionam, ela reclamava que o próprio governo havia garantido que essas unidades não sofreriam dispensas. Até porque, trabalham diretamente com o público.

Mais uma vez, o governador Alcides Rodrigues demonstra que enfrenta uma enorme dificuldade para desfazer o nó deixado por Marconi que, em última análise, contou com sua colaboração de vice. Um estado absolutamente endividado para garantir a manutenção do mesmo grupo no poder. O pior de tudo é o cinismo do governo ao tentar convencer a mim e a você de que tudo não passa de mera turbulência momentânea.
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