terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Cubanos "escravos" e a verdadeira face de seus "defensores"

Virou palavra fácil no dicionário dos contrários ao programa Mais Médicos (mesmo que não saibam seu real significado): os médicos cubanos que atuam no Brasil são "escravos". São centenas de citações do termo circulando pela rede. Mas, engana-se quem pensa que os tais defensores dos profissionais da isla estão mesmo preocupados com seu bem-estar ou seus direitos trabalhistas. E isso percebe-se em sutilezas.

Chamar Cuba de regime escravagista - a despeito da estupidez do termo - é uma coisa. Todos têm o direito de criticar esse ou aquele país, esse ou aquele regime. A questão não está aí. Está em chamar os médicos de "escravos". Ora, são cidadãos que vivem sob o ordenamento jurídico de seu país, como é óbvio. Têm regras a respeitar, gostemos ou não (eu, por exemplo, sou contra a pena de morte, amplamente aplicada nos Estados Unidos). São profissionais com curso superior e excelente formação - não é por acaso que uma multidão de brasileiros bem nascidos fez, faz, fará medicina na ilha.

Chamar cidadãos co-irmãos de "escravos" é de um anacronismo etnocêntrico que pensei ter ficado restrito ao século XIX. Revela, no final das contas, o desprezo que os tais "defensores" têm pelo seu semelhante. Revela preconceito e xenofobia. Afinal, não é contra Cuba o protesto. É contra o cubano. É mais uma artimanha da raia miúda na tentativa de transformar um programa humanitário em questão política.

É a mesma ralé intelectual que prefere deixar seu semelhante brasileiro morrer à espera do atendimento do médico  brasileiro que bate o ponto e deixa o serviço em vez de garantir, humanitariamente, o atendimento nos rincões do país. E fazem isso porque, ao contrário do que dizem, não consideram o outro seu semelhante. Trata-se apenas de povo e povo deve se contentar com o que tem. E, ainda, agradecer.
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