quarta-feira, 28 de junho de 2017

"Governo fabrica déficits para emplacar suas reformas", diz auditora Lucia Fattorelli

Lucia Fatorelli condena discurso do governo (F: Divulgação)
A auditora aposentada Maria Lucia Fattorelli, fundadora da associação Auditoria Cidadão da Dívida e uma das responsáveis por auditorias na Grécia e no Equador, afirmou que o governo Temer cria factoides para embutir na consciência da população que apenas com as reformas Trabalhista e Previdenciária o Brasil voltará a crescer. O tema foi debatido durante o segundo dia do IV Congresso Nacional da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NSCT), que ocorre em Luziânia (GO) entre 26 e 28 de junho, com a participação de mais de mil sindicalistas.

"Ao apresentar os gastos previdenciário, o Governo Federal não considera a cesta toda. Ele pega somente a contribuição do INSS e compara com a despesa total, desprezando Confins, PIS, PASEP e outros recursos que fazem parte da Seguridade Social. A conta está errada e o governo fabrica esse déficit propositalmente e de forma criminosa", afirma Fattorelli.

Para a especialista, ao contrário do que afirma a equipe do Planalto, a dívida pública é a grande responsável pela atual crise econômica, mais que os casos de desvio de verbas oriundos da corrupção. "De 1995 a 2015, tivemos um superávit primário de um trilhão de reais. Quer dizer, o problema da crise não está nos gastos sociais ou no investimento público, mas na prática de juro abusivo e de amortização de um passivo sem fim, que hoje consome 44% do Orçamento Geral da União. Gastos com saúde, educação e Previdência, juntos, não ultrapassam os 30% desse montante. Essa conta mostra que estamos priorizando o mercado ou invés da população", finaliza Lucia.

O economista Márcio Pochmann, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), também participou do IV Congresso e ressaltou outros aspectos importantes para o reaquecimento da economia, como a volta de investimentos em infraestrutura. "A dívida pública é expressiva e corrói parte importante do orçamento nacional, sufocando o país com altas taxas de juros. Além disso, o Brasil tem uma estrutura defasada e em construção. Se iniciou uma renovação da nossa infraestrutura nos anos 2000, mas não se conseguiu concluir. O Estado fez muita coisa, mas se pressupõe um apoio do setor privado, que está acorrentado pelo processo de financeirização das riquezas do nacionais”, concluiu. 

Da Assessoria



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