Votação de projeto que acaba com gratificação de agentes de trânsito por multa aplicada é adiada mais uma vez

Sanches contra a indústria da multa (TV Câmara)
A Câmara de Goiânia adiou, mais uma vez, a votação do projeto de lei complementar nº 20/2025, que acaba com a gratificação dos agentes de trânsito da capital de acordo com a quantidade de multas aplicadas. Não, você não leu errado: a lei complementar nº 358/22 diz que, quanto mais multas, mais dinheiro no bolso dos agentes. Alguém precisa desenhar o que isso significa?

Em março, quando realizou uma audiência pública sobre o tema, o autor do projeto, vereador Sanches da Federal (Progressistas), revelou números estarrecedores: a partir de dezembro de 2022, quando a lei entrou emvigor, as autuações por falta do uso do cinto de segurança saltaram de 224 entre janeiro e novembro daquele ano para, acreditem, 985 apenas em dezembro.

O mesmo ocorrou com as infrações por uso de fone de ouvido ao volante: de 132 para 759 em apenas um mês. Ou seja: ou o motorista goianiense se tornou um contumaz infrator de um dia para o outro ou o dinheiro no bolso fez pesar a mão dos agentes.

E não se trata, aqui, de defender infrator, que fique claro, mas sim, do direito a uma fiscalização rigorosa, mas justa. Até porque, não há como provar que a infração não foi cometida, nisso, o Estado é muito eficiente. Na hora de engordar o caixa da Prefeitura de Goiânia, vale tudo.

O projeto, que sofre enorme resistência na Câmara, não estava na pauta da sessão de hoje. Foi incluído a partir de um recurso regimental. Porém, sofreu, pela segunda vez, um pedido de vistas dos vereadores Anselmo Pereira (MDB) e Tião Peixoto (PSDB). Na prática, os parlametares pediram mais tempo para analisar a proposta, que começou a tramitar em abril de 2025.

A expectativa da sociedade goianiense é de que, na próxima semana, os vereadores votem a proposta e coloquem um freio na indústria da multa da Prefeitura.