O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu às recentes manifestações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a política brasileira e afirmou que não aceita interferências externas no processo eleitoral do país.
Lula: eleições são nossa responsabilidade (Reprodução)
Ao comentar as declarações do líder norte-americano, Lula disse que Trump é livre para ter afinidade política com quem desejar, mas ressaltou que a escolha dos governantes brasileiros cabe exclusivamente aos eleitores do Brasil.
“Por mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro – do pai, do filho, do neto. Não tenho nenhum problema. É um problema dele. Afinal de contas, gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições no Brasil.”
O presidente brasileiro destacou que a relação entre os dois países deve ser baseada no respeito mútuo e na observância da soberania nacional. Segundo Lula, assim como o Brasil não interfere nas disputas eleitorais norte-americanas, espera que os Estados Unidos adotem a mesma postura em relação ao cenário político brasileiro.
“As eleições no Brasil são um problema do Brasil, como as eleições americanas são problema deles e não são um problema meu. A única coisa que eu quero é respeito pelo Brasil, assim como eu tenho pelos Estados Unidos.”
A reação ocorreu após Trump voltar a fazer comentários sobre o Brasil e demonstrar apoio a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. As declarações do republicano foram recebidas pelo governo brasileiro como uma tentativa de influenciar o debate político em um momento de pré-campanha eleitoral.
Além das questões políticas, Lula também criticou posições recentes adotadas por Washington na área comercial. O presidente classificou como inadequadas algumas iniciativas defendidas por Trump, especialmente as relacionadas a possíveis medidas tarifárias contra produtos brasileiros, e defendeu que divergências entre os dois países sejam tratadas por meio do diálogo diplomático.
O episódio amplia o clima de tensão entre Brasília e Washington, em um contexto marcado por diferenças políticas e econômicas. Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que as manifestações de Trump reforçam sua proximidade com o grupo político ligado a Bolsonaro, o que tem gerado desconforto nas relações entre os dois governos.
Com a aproximação das eleições presidenciais de 2026, Lula tem reiterado que qualquer tentativa de influência estrangeira sobre o processo democrático brasileiro é inaceitável. Para o presidente, a definição dos rumos políticos do país deve permanecer uma decisão exclusiva dos cidadãos brasileiros.
Um vídeo que circula nas redes mostra o encontro dos dois nos bastidores da cúpula do G7. Trump se dirige a Lula e, ao cumprimentar o brasileiro, diz: "good job". E segue o jogo de xadrez entre as duas maiores democracias da América.