Dia de quê?

Um dia eu nasci e nunca mais soube pra onde ir. Pinóquio, no boletim do pré-primário, seria o prenúncio de alguma coisa? 

Eu segui e segui, nunca reto. Sempre um tombo aqui, outro ali, outro acolá. E muitos dragões de moinhos de vento...

Um dia, virei jornalista. E me via e revia, como num castelo de espelhos infinito, sempre a buscar algo mais pra preencher a sempre ausente de informações pauta da minha vida. 

Quisera ser músico. Viajante. Vaqueiro. Super-heroi. Comedor de orelha de cachorro...

Quisera, quisera...

Sempre diferente do que era. 

Cronista, escritor, tradutor da realidade... 

Quisera, quisera...

Fui repórter, fui editor, fui assessor de comunicação, fui longe pra quem saiu de onde saiu. 

Ainda hoje, preencho "jornalista" os eternos formulários de identificação a que somos obrigados a nos mostrar na vida.

Até quando? Perguntarei a meu próximo entrevistado, minha próxima fonte, "em off". Se houvera. 

Sete de abril, feliz dia do jornalista.