quinta-feira, 12 de abril de 2007

Ana Cláudia

Catálogo de Erros
Ele levantou cedo naquele dia, ao contrário do que costumava fazer. Café preto amargo porque acabou o açúcar. Treinando pra ser barista, mentiu pra si mesmo. Pão antevendo bolor, manteiga rançosa de véspera. Há alguma bebida de vodca e café?
Na rede com livro, no micro com blog, na tela com filme triste. Nenhum lugar retém. Incômodo dominical. Pina Colada não seria vodca com leite? Mas acabou o leite, ainda que houvesse a combinação. Ao menos um uísque pro Irish Coffe. Não há mesmo uma bebida de vodca e café?
Ela se chamava Ana Cláudia e era vista pelas maldosas adolescentes como a mais brega da escola. Um dia foi à aula com meias sobre a calça. Será que as meninas tinham razão?
Não se sabe se por isso ou se por outra coisa, mas Ana Cláudia deixou a sala chorando aquele dia. E ela, que era tão linda de doer, deixou um rastro de perfume que talvez também fosse brega ou outra classificação qualquer que sempre arrumam praquilo que não gostamos.
Poderia chorar em seu ombro, se quisesse, por toda a eternidade, todo o tempo que desejasse. Mas nunca disse isso a ela. Um dia até ensaiou. Mas desistiu no meio da conversa, que virou dissimulação. Até que ela parou de chorar e nunca mais precisou de ninguém.
Hoje, depois de tantos anos, sorri sempre, como mostram as capas de revista. Café amargo, vodca pura.
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