Correios inicia operação na telefonia celular

Os Correios lançarão no próximo mês sua operação na área de telefonia móvel. O lançamento será gradual: a primeira fase do projeto prevê um piloto em São Paulo, com implantações subsequentes em Belo Horizonte e Brasília. A meta é alcançar todos os Estados do Brasil até o fim deste ano.
O Correios Celular vem para complementar o conjunto de serviços oferecidos pela estatal a seus clientes, valendo-se de parceria estabelecida com a EUTV, prestadora de Serviço Móvel Pessoal (SMP) autorizada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que será responsável pela infraestrutura de suporte às telecomunicações.
“Há um número enorme de brasileiros que ainda não utilizam telefonia móvel e um número ainda maior de usuários que querem algo mais de suas operadoras. Queremos ser uma boa opção para esses públicos, nos valendo de nossa vasta capilaridade e da confiança que o brasileiro tem nos Correios”, destaca o presidente da estatal, Guilherme Campos.
Inicialmente, serão oferecidos apenas planos pré-pagos, chips e recargas. A partir do segundo ano de operação (2018), serão iniciados estudos para definir a viabilidade da oferta de planos pós-pagos.

Sindiabrabar reivindica representatividade de setor de gastronomia e entretenimento

O Sindicato das Empresas de Gastronomia, Entretenimento e Similares do Município de Curitiba (Sindiabrabar), nova entidade patronal do setor, reconhecido legalmente no final de 2016, está encaminhando comunicado aos representantes legais dos estabelecimentos reivindicando a representatividade de empresas no município.

Até então representadas pelo SEHA (Sindicato Empresarial de Hospedagem e Alimentação), empresas de 37 atividades (Bares, Restaurantes, Lazer e Entretenimento, Boliches, Buffets, Cafés, Cantinas, Casas de Diversão, Casas de Jogos, Casas Noturnas, entre outras) devem agora migrar para o novo sindicato, afirma o presidente da entidade, o empresário Fábio Aguayo.

"Respeitamos o SEHA (Sindicato Empresarial de Hospedagem e Alimentação) por todo trabalho feito ao longo de anos, porém estamos em um período de convergência com novos ideais aos nossos empreendedores e sempre acreditamos na necessidade de uma representatividade exclusiva para a categoria. O trabalho da ABRABAR não pode ser desmerecido, assim como o do SEHA, que será lembrado pelo grande legado deixado e sempre terá a porta aberta para ser uma entidade sindical parceira", afirma o comunicado de Aguayo, também presidente da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas.

A chegada do Sindiabrabar já provocou a reação do SEHA. Em comunicado aos associados emitido em 21 de dezembro, o presidente da entidade, o empresário João Jacob Mehl, critica a medida: "Está cada vez mais difícil entender as decisões governamentais.

Retirar poderes de um sindicato atuante há 70 anos e doá-los a outro de apenas 1 dia, e sem representatividade, demonstra a falta de critérios e respeito com uma instituição operosa. (...)
Nosso departamento jurídico em conjunto com a FBHA e a CNC estão atuando para reverter esta anacrônica decisão", afirmou.


Por outro lado, o documento enviado por Aguayo aos estabelecimentos diz ainda que "na qualidade de representante do Sindicato, que todas as contribuições sindicais, assistenciais ou qualquer outra forma de cobrança sindical em face das empresas pertencentes aos grupos das 37 categorias acima elencadas, cuja representação é de competência do SINDIABRABAR, não devendo ser realizado qualquer recolhimento em favor da SEHA. 
Cumpre lembrar que a realização de eventuais pagamentos a outra entidade sindical é indevida, vez que estas atividades econômicas não mais são representadas pela antiga entidade sindical".
 

Campanha “Gente boa também mata” vira alvo do Conar

Os memes não perdoaram o deslize da campanha

Veiculada desde o final do ano passado pelo governo federal, a campanha de trânsito “Gente boa também mata” desagradou desde o início. Criada pela agência Nova/sb, a ideia era mostrar que pessoas “boas”, e não apenas as inconsequentes, podem provocar acidentes de trânsito, dependendo de sua conduta. Mas as peças não pegaram bem entre as pessoas de bem.

Protetores de animais ficaram irados
Especialmente uma delas, em que um cartaz ressalta que “Quem resgata animais na rua pode matar”. Assim, em letras garrafais, para só depois, sem destaque, aparecer a explicação: “Não use o celular ao volante”. Há outras. Mas, nesse caso, mexeram com o público errado. Os protetores de animais beiram ao xiitismo. Não deixaram barato. Tanto fizeram que o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) abriu processo, nesta terça-feira, 10, para investigar a campanha.

Isso, mesmo após o governo ter decidido retirar os cartazes das ruas. “Numa campanha de publicidade, tudo o que é preciso explicar já não é bom”, admitiu o ministro dos Transportes, Maurício Quintella, ao Blog do Camarotti, no G1. Os vídeos, no entanto, permanecem no ar, até onde se sabe. Sem, contudo, a assinatura do próprio ministério.

Governo admitiu equívoco

Em seu perfil no Facebook, onde as peças foram bombardeadas, a Pasta atribui o material à Secretaria de Comunicação Social do governo e, “por isso, a assinatura do ministério será retirada da campanha”. Foram e estão sendo muitas as explicações aos internautas. Que, por sua vez, claro, não perdoaram com seus memes e críticas bem-humorados.

Tempos modernos, em que os gestores públicos – e nós, comunicadores – ainda estão aprendendo a lidar com essa linha direta com o cidadão. Vale para o bem, vale para o mal.

E, cuidado: pessoas boas podem ser maus jornalistas!

“Índio tem que morrer de malária, de parto”, diz apresentadora da Record Goiás

Fabélia Oliveira: "Índio não pode tomar remédios" (Reprodução You Tube)
Pode parecer estarrecedor, mas essa foi a opinião defendida no programa Sucessono Campo, da Record Goiás, pela apresentadora Fabélia Oliveira. O comentário foi feito na edição do último domingo, 8, e publicado no canal da apresentadora no You Tube.

Indignada – assim como inexplicavelmente todo o agronegócio – com o polêmico samba enredo da escola Imperatriz Leopoldinense “Xingu, o Clamor que Vem da Floresta”, Fabélia não se contentou em defender os agricultores e pecuaristas, como vêm fazendo uma série de entidades representativas do setor, mas também decidiu atacar a comunidade indígena e os autores do samba enredo: “Você já ouviu falar esses nomes? Provavelmente, não. E, se ouviu, foi agora, recente”, ironizou.

Críticas aos autores e defesa do “homem do campo”. Até aí, tudo dentro da normalidade. Fabélia perdeu a mão – e as menções negativas a seu comentário no You Tube, três vezes maiores que as positivas demonstram isso – ao desferir ataques aos índios, que nada tiveram a ver com a decisão da escola de se valer desse tema para o carnaval desse ano.

Tão vítimas quanto os empresários rurais, foram atacados com várias ofensas. Mas nada tão inacreditável quanto este trecho:

“Se o índio quer preservar a cultura, ele não pode ter acesso à tecnologia que nós temos. Ele não pode comer de geladeira, tomar banho de chuveiro e tomar remédios químicos. Porque há um controle populacional natural, ele vai ter que morrer de malária, de tétano, do parto. É a natureza. (…) Que vá se tratar na medicina do cacique, do pajé”. 



Em sua defesa do segmento que representa – e, frise-se novamente, não há nada de errado nisso -, Fabélia desconsiderou um fator intrínseco e básico de qualquer comunidade: elas são compostas de bons e de maus.

Voçoroca no Araguaia (F: Fabiola Filizola/Embrapa)
Se os índios não são santos, aculturados que foram, por usar “Ray-Ban original e aparelho nos dentes”, os empresários do agronegócio, que estão destruindo as nascentes do Araguaia (na região de Mineiros, Santa Rita do Araguaia, que conheço bem), o mais importante rio goiano, provocando voçorocas que abrigariam tranquilamente uma composição de trens em seu interior por não respeitar a legislação ambiental também não o são. Todos os ruralistas? Todos os índios? Não.

Não se sabe se o comentário de Fabélia, que também pede, como em um culto, a contribuição dos telespectadores para comprar espaços publicitários em defesa do agronegócio se deve à simples polêmica, para chamar audiência, se é um afago nos patrocinadores ou meramente uma visão individualista estilo “eu sou eu e massacrem-se os outros” tão presente nos tempos de idade média atuais.

Também não se sabe se, ao analisar a questão meio ambiente-agronegócio a partir de um poto de vista unilateral, consegue perceber que são questões intimamente interligadas e que as agruras climáticas enfrentadas pelos produtores como ela mesma cita em seu infeliz comentário provavelmente têm ligação direta com o desmatamento.

Mas, o mais impressionante dessa história, é que, longe de fazer uma crítica contumaz ao ruralismo - a crítica mais clara é à usina de Belo Monte - o samba enredo mais exalta o índio (veja a letra aqui). Aparentemente, não entenderam nada - vale uma aula de interpretação de texto. Ou, o mais preocupante: disfarçado em defesa do segmento, o agronegócio quer se utilizar da falsa polêmica que criou para atacar ainda mais a população indígena. Vale pensar sobre o assunto. 

O fato é que, como comunicadora e empregada de um serviço que é uma concessão pública, deveria contribuir para o debate, nunca para o acirramento das ideias.

E você, já ouviu falar em Fabélia Oliveira? Provavelmente, não. E, se ouviu, foi agora, recente.