O ex-presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, afirmou que a atuação política do campo progressista precisa ganhar profundidade e ir além de campanhas eleitorais pontuais.
Seminário debateu encruzinlhada da esquerda (Reprodução_
Segundo ele, parte das estratégias atuais tem sido marcada por superficialidade e baixa capacidade de engajamento duradouro.
“A campanha está muito rasa. Falta conteúdo, falta projeto, falta relação mais duradoura com a sociedade. Não pode ser só eleição”, afirmou o ex-deputado durante seminário promovido por ele na cidade de São Paulo.
Para João Paulo, a construção política exige mais do que mobilização momentânea, passando pela formação de grupos organizados e pela consolidação de um projeto de longo prazo.
“A gente precisa conformar um grupo, construir um projeto com profundidade, com sonho e com perspectiva. Não é só recurso ou campanha, é construção política”, disse Cunha, que é pré-candidato à federal pelo PT.
O ex-presidente da Câmara também chamou atenção para a diferença de alcance nas redes sociais entre lideranças políticas, citando o contraste entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro como exemplo do desafio enfrentado no ambiente digital.
“Como explicar que um projeto consistente tenha menos alcance do que conteúdos superficiais? Estamos diante de um novo mundo e precisamos entender essa dinâmica”, afirmou.
No mesmo evento, o senador Rogério Carvalho (PT-SE) reforçou a necessidade de adaptação à nova realidade da comunicação política e cobrou os dirigentes petistas a se adaptarem à nova realidade imposta pelo ambiente digital.
“A vida acontece hoje no ambiente digital. Somos bons na militância de rua, mas estamos negligenciando o espaço onde o debate acontece”, disse.
Segundo Carvalho, lideranças e dirigentes precisam sair da zona de conforto e desenvolver estratégias mais eficazes de mobilização nas redes.
“O desafio é saber mobilizar a militância também no mundo online, na batalha digital que define narrativas e posicionamentos”, afirmou.