Goiás registra baixa cobertura vacinal e decreta estado de emergência

Vacinação em baixa (Foto: Divulgação)
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) solicitou e o governo estadual decretou Estado de Emergência em razão do aumento preocupante de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Goiás. O alerta foi acionado em função do aumento de internações pela síndrome, que já se aproxima de 500 só neste mês. A preocupação aumentou também pela baixa cobertura vacinal nos públicos-alvo da campanha de imunização, hoje em cerca de 16% para crianças, idosos e gestantes.

Com o objetivo de promover a conscientização sobre a importância de manter os calendários de vacinação em dia, com um alerta especial para a necessidade de aumentar as coberturas vacinais, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e Organização Mundial da Saúde (OMS) realizam anualmente a Semana Mundial da Imunização, que em 2026 será celebrada entre os dias 24 e 30 de abril. Esta mobilização global visa destacar o poder das vacinas na proteção de pessoas de todas as idades contra doenças preveníveis. 

“Reverter o retrocesso na conscientização sobre a importância da vacinação envolve uma abordagem multifacetada, começando pela educação. A informação precisa ser acessível e precisa, com campanhas de esclarecimento em escolas, comunidades e hospitais. Os profissionais de saúde devem atuar como porta-vozes, explicando de forma clara e simples os benefícios da imunização”, afirma o médico infectologista Guilherme Augusto, da Clínica Vittá.

O especialista defende que, além disso, é fundamental combater a desinformação, que se espalha facilmente nas redes sociais, com a promoção de dados científicos comprovados e com foco na proteção da saúde coletiva. “O engajamento das autoridades de saúde, mídia e organizações comunitárias também pode fazer diferença significativa”, aposta.

A campanha de 2026 destaca o tema "Vacinas funcionam para todas as gerações", com o objetivo de proteger comunidades, famílias e indivíduos ao longo da vida. “Todos os grupos etários devem se vacinar. Embora as campanhas geralmente se concentrem em grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças e gestantes, as vacinas são fundamentais para todos, independentemente da idade. A vacinação ao longo da vida não só protege os indivíduos de doenças infecciosas, mas também ajuda a reduzir a propagação de doenças na comunidade”, explica o médico.

Guilherme Augusto alerta que crianças, por exemplo, são mais suscetíveis a doenças infecciosas, enquanto os idosos têm um sistema imunológico mais fragilizado, o que os torna mais vulneráveis a complicações graves. “A imunização contínua para adultos, especialmente para doenças como gripe, pneumonia e tétano, é igualmente essencial”, alerta.

Consequências da baixa cobertura

A cobertura vacinal contra a influenza (gripe) em Goiás está baixa, registrando cerca de 16,19% em abril de 2026, patamar similar à média nacional (16,92%), acendendo um alerta para o aumento de casos respiratórios. Apesar de alguns municípios melhorarem índices da poliomielite, a procura geral por vacinas segue abaixo da meta de 90%.

O infectologista alerta que a baixa cobertura vacinal contra a influenza pode ter sérias consequências para a saúde pública. Com uma cobertura vacinal insuficiente, há um aumento no número de casos graves da doença, o que sobrecarrega os sistemas de saúde, levando a mais hospitalizações e até mortes. 

“Além disso, a baixa adesão à vacina contra a gripe pode contribuir para surtos sazonais de doenças respiratórias, impactando diretamente grupos vulneráveis, como crianças pequenas, idosos e pessoas com comorbidades. Esses grupos são mais suscetíveis a complicações, como a SRAG, que pode exigir internações e cuidados intensivos”, explica.

Goiás decretou estado de emergência em saúde pública em 15 de abril de 2026, devido ao aumento preocupante de casos de SRAG. Mais de 500 internações foram registradas apenas no início de abril, impulsionadas por vírus respiratórios, incluindo Influenza e VSR, com baixa cobertura vacinal. O infectologista Guilherme Augusto alerta que o aumento de casos de SRAG em Goiás está relacionado ao baixo índice de vacinação, especialmente contra a gripe. 

“A baixa cobertura vacinal contribui para a maior circulação de vírus respiratórios, como o Influenza e o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), aumentando a incidência de infecções respiratórias graves. Quando a população não está suficientemente protegida pela vacinação, mais pessoas ficam vulneráveis a essas infecções, o que leva a uma sobrecarga nos hospitais e à necessidade de decretar estados de emergência em saúde pública”, explica.

As vacinas salvaram mais de 150 milhões de vidas nos últimos 50 anos, representando uma média de seis vidas salvas a cada minuto. “Portanto, a vacinação é uma ferramenta essencial para reduzir o impacto de surtos respiratórios e proteger a saúde coletiva”, defende o infectologista.