Existe um estado que nunca errou o vencedor da eleição nos últimos 36 anos: com quem ele está?

Minas decisivo (Reprodução Genial/Quaest)
Há uma certeza no mundo político em relação às eleições presidenciais: quem vence em Minas Gerais, garante a cadeira do Planalto. Não é uma mera superstição. Foi assim nas nove eleições desde o fim da Ditadura Militar a partir de 1989.

Naquele ano, Fernando Collor venceu Lula por 55,52% a 44,48% entre os mineiros. Nas duas eleições seguintes, 1994 e 1998, as únicas decididas no primeiro turno, Fernando Henrique levou a melhor também contra Lula: 64,82% x 21,90% e 55,68% x 28,06%, respectivamente.

Quando Lula reverteu o quadro e venceu em 2002 e 2006, lá estava novamente Minas Gerais como um oráculo a proclamar o vencedor. Na primeira, o petista venceu José Serra por 66,45% a 33,55%. Na reeleição, os mineiros deram a Lula a vitória contra o hoje vice-presidente Geraldo Alckmin (quem diria) por 65,19% a 34,81%.

Com Dilma, não foi diferente: em 2010 foi 58,45% a 41,55% contra Serra. E em 2014, 52,41% a 47,59% contra Aécio Neves, o irresponsável que iniciou no país as críticas ao sistema eleitoral e preparou o discurso bolsonarista contra as urnas eletrônicas.

Em 2018, a ascenção da extrema direita ao poder também veio com as bênçãos dos mineiros: Jair Bolsonaro venceu Fernando Haddad por 58,19% a 41,81% no estado.

Mas o peso de Minas ficou ainda mais evidente na eleição mais acirrada desde a redemocratização. Em 2022, renascido após o processo viciado comandado por Sergio Moro e Deltan Dalagnol que o levou à prisão política, Lula venceu Jair Bolsonaro por 50,21% a 49,79%, apenas 0,42 ponto percentual de diferença. Em todo o país, a vantagem de Lula foi de 50,9% a 49,1%.

Ao que tudo indica, as eleições deste ano serão igualmente acirradas. Sem, aparentemente, uma terceira via que possa mudar o cenário que se desenha, a disputa deve ficar entre Lula e Flávio Bolsonaro. Nos levantamentos expontâneos, Lula aparece relativamente bem, à frente do filho do presidiário Jair. Já nos cenários estimulados, apesar de ainda à frente nas simulações de primeiro turno, Lula já aparece atrás, em empate técnico dentro da margem de erro, em algumas pesquisas.

Mas ninguém está falando do estado oráculo. E isso pode, de certa forma, dar um pouco de tranquilidade aos petistas: em Minas, Lula aparece à frente de Flávio. Na última pesquisa Genial/Quaest realizada no final de abril, por exemplo, Lula vence por 33% a 27% no cenário estimulado de primeiro turno. No segundo, os dados revelam uma preferência de 52% a 48% do eleitorado para Lula.

Como diz o poeta, pode ser tudo, pode ser nada. Mas, se os mineiros não mudarem de opinião, Lula pode conquistar seu histórico quarto mandato. Aguardemos.