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quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Justiça rejeita tentativa de censura de Bolsonaro contra revista por associação ao nazismo

O juiz Frederico Botelho de Barros Viana, da 10ª Vara de Justiça Federal do Distrito Federal, rejeitou a ação de censura proposta por Jair Bolsonaro contra a revista IstoÉ por chamar o governante de "Mercado da Morte" ao relatar as atrocidades cometidas pelo governo na condução das ações contra a pandemia de covid-19. Para o juiz, mesmo a comparação com Hitler - já que a publicação retratou Bolsonaro com um bigodinho no estilo do genocida alemão - faz parte do debate público.

Apesar de não ter relação com a ação em si, vale ressaltar que, na semana passada, ao ser orientado por um seguidor no curralzinho da Presidência em Brasília a adotar o mesmo sistema de Hitler na doutrinação de crianças, durante o governo nazista, no Brasil, Bolsonaro, além de não contestar a comparação, afirmou ter intenção de interferir no Ministério da Educação, mas ser impedido pela burocracia.

Portanto, se o próprio mandatário assume para si comparações com o líder genocida alemão, não há por que questionar a mesma comparação feita por outras pessoas ou publicações.

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Pesquisa Modalmais Futura Inteligência mostra Lula consolidado e Moro vencendo Bolsonaro


O principal temor dos bolsonaristas convictos, aqueles que fecharam os olhos para todos os desmandos e falcatruas da familícia que assaltou o poder em 2018, parece se consolidar dia a  dia. A mais recente pesquisa Modalmais Futura Inteligência divulgada hoje confirma Lula (PT) na liderança e um potencial crescimento do ex-juiz da Vaza Jato Sergio Moro (Podemos), capaz de tirar o caótico e inacreditável Jair Bolsonaro do segundo turno das eleições de 2022.

Em todos os cenários apontados pelo levantamento, realizado entre os dias 16 e 20 de novembro, Lula vence os adversários no primeiro e segundo turno, sejam quais forem. Mas isso é notícia velha. O que tirou o sono do gado bolsonarista é a ascensão do ex-ministro de Bolsonaro Sergio Moro, que aparece em terceiro lugar, deixando para trás Ciro Gomes (PDT) e, pior, vencendo o Mito em um eventual e improvável segundo turno entre os dois.

Nos cenários apresentados, a liderança de Lula oscila entre 37% e 43,4% das intenções de voto. Bolsonaro não passa de 32,7%. Já o juiz-político vence o ex-chefe em um improvável segundo turno entre os dois por 38,8% a 35,7%. Lula, por sua vez, derrota o Marreco de Maringá por 46,6% a 33,6%. 

O cenário deixa claro que Moro será o principal alvo dos ex-aliados bolsonaristas em 2022. E Lula será o alvo de todos.

A pesquisa ouviu dois mil eleitores e tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

terça-feira, 5 de outubro de 2021

Genial/Quaest: Datena e Moro ultrapassam Ciro; Lula mantém liderança isolada

Pesquisa Genial/Quaest divulgada hoje mostra o apresentador José Luiz Datena (PSL) e o ex-ministro de Bolsonaro Sergio Moro (sem partido) à frente de Ciro Gomes (PDT) na disputa pelo Palácio do Planalto no ano que vem. No cenário em que disputa com o ex-juiz, Moro vence por 10% a 9%. Já o jornalista vence Ciro por 11% a 10%.

A pesquisa utilizou oito cenários, incluindo, pela primeira vez, a empresária Luiza Trajano (sem partido), cotada para a vice de Lula, que aparece com 4%, à frente do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), que atingiu 3%, e do também senador Alessandro Vieira (Cidadania), que marcou 2%. 

Em todos os cenários, Lula mantém liderança isolada, variando entre 43% 3 46%. Bolsonaro aparece em segundo, com intenções entre 24% e 27%. As projeções mostram a possibilidade de Lula vencer ainda no primeiro turno, caso a terceira via não se consolide.

Os resultados são da pesquisa estimulada. Na espontânea, Lula tem 22% e Bolsonaro 17%, mas 55% dizem não saber em quem votar.

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

A bolha de Bolsonaro nos salvará

Muito se comenta sobre o discurso lunático proferido na Assembleia da ONU por Jair Bolsonaro. Vivendo em um mundo paralelo, quase esquizofrênico, ele mentiu, inventou, atacou e, acima de tudo, mostrou, mais uma vez, seu completo deslocamento da realidade.

Bolsonaro vive um uma bolha e nunca saiu dela. Catapultado ao poder em um momento de profunda insatisfação do país com seus governantes, como salvador da pátria, passou a agir sistematicamente como tal. E essa, felizmente, será sua perdição.

Além de nunca abandonar o palanque, Bolsonaro se revelou um refém e retroalimentador de fanáticos. Terraplanistas, negacionistas, conspiradores, adeptos da invasão da Terra por alienígenas para clonar o "Mito" etc estão entre seus principais apoiadores. E é para este e com este público que Bolsonaro dialoga.

Longe de parecer ruim, isso é um benefício de médio prazo para o país. Ao ignorar a realidade, a inflação, a destruição do meio ambiente, a fuga de capitais, meio milhão de mortos pela Covid-19 e apostar na invasão comunista e no plano chinês para dominar o mundo, Bolsonaro fica cada vez mais isolado sem ter plena noção disso. 

Vivendo eternamente em seu cercadinho, ele parece o rei nu. Aplaudido por todos sem ninguém com coragem para dizer que é motivo de chacota, ele acredita ser o próprio rei, talvez um deus. E seus apoiadores, que vivem igualmente em uma bolha contra a "grande mídia esquerdista e os esquerdopatas" também acreditam que representam alguma maioria.

Quando acordarem, felizmente, será tarde. Teremos um país quase destruído, mas recuperável.  

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Bancos declaram guerra a Bolsonaro

Um dos setores que mais lucraram durante os governos petistas, especialmente os oito anos de Lula, o sistema financeiro declarou guerra ao ex-queridinho Jair Bolsonaro, apoiado maciçamente pelo mercado em 2018. Após o manifesto A Praça é dos Três Poderes, em que defendeu a harmonia e a autonomia entre os poderes, no momento em que um enfurecido e descontrolado Bolsonaro pregava a desobediência de ordens judiciais, a Febraban, agora, critica duramente o aumento eleitoreiro do IOF pelo governo.

Em nota oficial, a entidade, que é integrada, entre outros, pelos bancos públicos Caixa e Banco do Brasil, afirma que  o resultado do aumento do imposto para bancar o Auxílio Brasil, o Bolsa Família de Bolsonaro, "é o desestímulo aos investimentos e mais custos para empresas e famílias que precisam de crédito". 

Não é preciso lembrar que Bolsonaro e sua trupe classificavam o Bolsa Família de ação eleitoreira dos governos petistas, uma forma de manter os miseráveis na miséria. "Esse aumento do IOF é um fator que dificulta o processo de recuperação da economia", ressalta a Febraban.

Após perder apoio entre evangélicos e ricos, seu eleitorado tradicional, Bolsonaro segue colecionando desafetos. Que siga assim.

Confira a nota:

POSIÇÃO DA FEBRABAN SOBRE AUMENTO DO IOF

Aumento de impostos sobre o crédito, mesmo que temporário, agrava o custo dos empréstimos, particularmente em um momento em que o Banco Central precisará subir ainda mais a taxa básica de juros para conter a alta da inflação.

O resultado é o desestímulo aos investimentos e mais custos para empresas e famílias que precisam de crédito. Esse aumento do IOF é um fator que dificulta o processo de recuperação da economia.

Para enfrentar as dificuldades fiscais, evitar impactos negativos no custo do crédito e propiciar a retomada consistente da economia, só há um caminho: perseverarmos na aprovação da agenda de reformas estruturais em tramitação no Congresso.

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Apenas 21% dos moradores do Centro-Oeste acreditam em melhoria das finanças familiares

Tradicional reduto do agronegócio, onde Bolsonaro mantém seus maiores níveis de aprovação (ao lado da região Sul), em torno de 30%, a região Centro-Oeste parece, também, desacreditada na capacidade do governo de recuperar o país. Na região, o número de pessoas que aguardam a recuperação financeira da família apenas em 2022 passou de 41% (junho) para 55% (setembro). A parcela dos que achavam que essa situação iria melhorar ainda este ano caiu de 29% (junho) para os atuais 21%. É o que revela  o Radar Febraban para a região.

Mesmo com o avanço da vacinação contra a Covid-19 e a análise de especialistas que mostram otimismo com o crescimento da economia em 5%, mesmo faltando 4 meses para o final do ano, a opinião pública do Centro-Oeste segue incrédula.

Os dados revelam que 70% dos que vivem na região acreditam que a economia só vai se recuperar a partir de 2022. Em junho, esse percentual era de 64%. Para 52%, o poder de compra vai encolher nos próximos seis meses. Em junho, essa avaliação era compartilhada por 51% das pessoas. Um indicador que registrou elevação considerável foi a expectativa sobre o aumento do desemprego (56% hoje, era de 45% em junho).

Essas são algumas das principais conclusões da nova pesquisa para a região Centro-Oeste, realizada entre os dias 2 e 7 de setembro pelo Ipespe, que ouviu 3 mil pessoas, maiores de 18 anos, em todo o país. 

Um indicador que registrou queda foi o número de entrevistados que acreditam num aumento da taxa de juros no próximo semestre: 68%, contra 70% verificados em junho.

A pesquisa mostra que 41% acreditam no aumento do acesso ao crédito para pessoas físicas e empresas, o maior índice do pais nesse quesito.

Ou seja, as bravatas, idas e voltas de Bolsonaro têm deixado mesmo os maiores entusiastas do estilo truculento e irresponsável do "mito" um pouco mais conscientes do desastre que foi - e está sendo - sua eleição.

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Um ano e meio atrás, empresário bolsonarista minimizava pandemia: "Brasil não pode parar por 5 ou 7 mil mortes"

Era 23 de março de 2020 e pouco ainda se sabia sobre a evolução da pandemia do coronavírus. Não havia expectativa próxima de vacina, tratamento adequado para a covid-19, informações claras sobre o uso de máscara etc. Mas o distanciamento social era unanimidade entre os especialistas para conter o avanço da doença. Naquele dia, o empresário bolsonarista Junior Durski, que ficou milionário durante os governos Lula e Dilma, estarreceu o país em um vídeo em seu perfil do Instagram.

"Não podemos, por conta de cinco mil pessoas, sete mil pessoas que vão morrer, eu sei que é muito grave, eu sei que isso é um problema, mas muito mais grave é o que já acontece no Brasil", disse o dono das redes de hamburguerias Madero e Jerônimo, ao comprar as mortes por covid com as provocadas por outros problemas. "Não pode parar o Brasil, o Brasil tem que continuar trabalhando", comentou, ao endossar o discurso de Bolsonaro contra o fechamento do comércio por estados e municípios. "Infectologistas não podem querer fechar tudo", afirmou.


O vídeo, ainda no ar, continua recebendo críticas. "Não é que o Sr. acertou?!?!?! SETE MIL MORTOS HOJE!!!! Só errou a área geográfica. Em vez de Brasil, Curitiba", escreveu uma pessoa há duas semanas. "550 mil mortes", lembrou outro leitor há alguns dias.

Hoje, o Brasil superou as 585 mil mortes. Mas, felizmente, a curva está caindo rapidamente. Graças, vejam só, às restrições de circulação impostas por autoridades e à  ação dos cientistas que desenvolveram vacinas.

Entre revolta e decepção, bolsonaristas descobrem o óbvio: são massa de manobra e motivo de chacota

A carta escrita por Michel Temer e assinada por Bolsonaro pedindo desculpas ao STF pelos discursos antidemocráticos de 07 de setembro começou a abrir os olhos de parte da manada bolsonarista. Em grupos de Whats App circulam áudios, vídeos e textos de defensores do governo golpista revoltados ou decepcionados com o recuo do líder.

"280 km até SP, aquele mar de gente esmagando e sofrendo embaixo de um sol forte, pra isso. Sorria! Somos palhaços!!" escreveu um desiludido Giuseppe no Twitter.

Um "patriota" irado, também de São Paulo, sentenciou: "Aqui em São Paulo temos um calça apertada. Em Brasília, temos um calça frouxa". O "defensor da democracia" disse que pode ser chamado de traidor, mas não acredita mais em Bolsonaro. "Todos foram enganados por esse traidor. Vou queimar minha camisa do Bolsonaro", garantiu. Assista abaixo.


"Minha vontade é de chorar, estou muito decepcionada", admitiu uma admiradora da ditadura. "Me sentindo uma palhaça, levei toda a minha família", afirmou em um grupo.

Também existem algumas tentativas tímidas de defender Bolsonaro. Alguns afirmam que a postura foi de "estadista" e a hashtag #euconfionopresidente chegou a figurar entre os assuntos mais comentados do Twitter por alguns minutos hoje pela manhã. Alguns grupos afirmam que se trata de uma estratégia de Bolsonaro - não explicam exatamente qual. Mas, no geral, a decepção e a revolta se espalharam.

Um outro "patriota" reconheceu: "Estamos passando vergonha. Não tivemos apoio do presidente depois do 07 de setembro, está pedindo desculpa, escrevendo cartinha. Isso não é estratégia, é estratégia de covarde", reclamou. 

Assista abaixo:



quarta-feira, 8 de setembro de 2021

PSDB anuncia oposição ao governo e é lembrado nas redes de que Bolsonaro está há 2,9 anos no poder

Após reunião que durou a tarde toda de hoje, o PSDB anunciou que será, oficialmente, opositor de Jair Bolsonaro. De acordo com o partido, "com a participação da Executiva e das bancadas na Câmara e Senado, registramos que após o pronunciamento inaceitável do chefe do Poder Executivo, na data de ontem, iniciamos hoje o processo interno de discussão sobre a prática de crimes de responsabilidade cometidos pelo Presidente da República e o caminho mais eficiente para evitar o agravamento dessa crise na vida das pessoas."

Após a publicação da posição tucana no Twitter, internautas lembraram que a decisão demorou. "O PSDB ficou 2 anos e 9 meses votando com o Governo, viu o desmatamento aumentar, 580 mil vidas perdidas na pandemia, a inflação voltar, dólar disparar, intervenção na PF p/ salvar filhote de corrupto e diversas outras barbaridades, para só então ser oposição?", questionou um deles.

"DEMOROU!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Mas ficar apenas nas palavras não é o bastante. Articulem pelo impeachment, caso contrário em 2022 nós lembraremos de vocês como covardes que foram coniventes com o pior governo da história da República. Abraços.", escreveu outra leitora.

"Levaram só cerca de 3 anos pra perceber o acúmulo de crimes promovidos pelo genocida desde a posse!!! Chamaram a tartaruga para a direção desse partideco??? Sério?? A cara nem cora!!! Vão assinar os pedidos de impeachment e travar as pautas no congresso? Só acredito vendo.", disse outra.

Também houve questionamentos sobre a permanência do deputado federal Aécio Neves (MG) no partido. Ao ser derrotado por Dilma Roussef (PT) em 2014, Aécio inflamou a população a questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas, segundo ele mesmo disse, em áudio vazado tempos depois, apenas para atormentar. Ou seja, ele iniciou a narrativa da falta de confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro, que todos sabemos onde nos levou.

Bolsonaro se recusa a incluir tratamento de covid-19 por ECMO no SUS

O desprezo de Jair Bolsonaro - e seguidores - pela vida humana é notório. A apologia à morte, também. Talvez não por acaso, seu governo se recusa a incluir no SUS o tratamento por ECMO, conhecido como pulmão artificial. Em alguns casos, é a única chance de sobrevivência à covid-19. 

A portaria nº 1.327/2021, publicada no último dia 23 de junho, pelo Ministério da Saúde, definiu que a terapia não terá cobertura do Sistema Único de Saúde. Para a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias do Sistema Único de Saúde (Conitec), que avaliou a proposta, a terapia tem custos muito altos e o sistema de saúde público brasileiro ainda não dispõe de unidades suficientes e com infraestrutura para a instalação da ECMO. 

A fundadora e diretora da ECMO Minas, a cardiologista pediátrica Marina Fantini, discorda que o limitador financeiro seja a grande questão sobre a implementação. Ela foi a responsável por uma mobilização que envolveu vários atores para utilizar a terapia via SUS e conseguiu salvar a estudante Eloisy Cristina dos Santos, de 14 anos. “Provamos que é possível organizar um time, buscar apoio da indústria e mobilizar doações. Eloisy ficou uma semana em ECMO e teve o melhor tratamento que poderia receber”. 

Criada nos EUA, há mais de 40 anos, a ECMO é indicada para pacientes, adultos ou pediátricos, com grave disfunção pulmonar ou cardiopulmonar. É uma forma de substituir o pulmão ou o coração quando eles não estão funcionando de forma adequada.

Mas, quem nesse governo se preocupa em salvar vidas?

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Marcos Rogério vira piada nas redes após assessor ser preso por tráfico de drogas: "Narcos"

O senador Marcos Rogério (DEM-RO) virou alvo de piadas nas redes sociais após um assessor de seu gabinete ser preso pela Polícia Federal (PF), ontem, por tráfico de drogas. A Operação Alcance investiga uma organização criminosa que envia drogas da região Norte para Fortaleza. Marcos Rogério


é um dos mais fortes aliados de Jair Bolsonaro e defensor incondicional de suspeitos ouvidos pela CPI da Covid. Marcelo Guimarães Cortez Leite, agora exonerado, segundo o senador, recebia salário de R$ 4.553,53.

No Twitter, a hashtag "Narcos Rogério" ficou entre os assuntos mais comentados desta sexta-feira. O perfil do Instagram @memecrata também produziu um cartaz parodiando a série Narcos, da Netflix, em que o senador aparece como o personagem principal.

Bolsonaro desfigura lei que liberava patentes de vacinas

Bolsonaro: tudo ao mercado (F: Carolina Antunes/PR)
Em mais um ataque à saúde pública e aos mais pobres, Jair Bolsonaro (sem partido) sancionou com vetos a lei que permitiria liberar as patentes de vacinas e medicamentos para a Covid-19, ampliando e barateando o acesso dos brasileiros a esses fármacos. O Projeto de Lei 12/2021, aprovado por ampla maioria na Câmara e no Senado, foi desfigurado pelos vetos. O Grupo de Trabalho em Propriedade Intelectual (GTPI), que reúne especialistas e entidades da sociedade civil, vai atuar junto ao Congresso Nacional para derrubar esses vetos.

Na prática, o presidente vetou os parágrafos 8, 9, 10, 11 do artigo 2 e livrou as empresas detentoras de patentes da obrigação de fornecer informações e mesmo material biológico para que sejam produzidos os fármacos que teriam suas patentes liberadas pela lei. O grupo de entidades vai recorrer aos parlamentares ainda nesta sexta-feira para que os vetos sejam revertidos no Congresso Nacional. Além disso, foi vetado o artigo 3, que estabelecia a aplicação da nova lei já na pandemia de Covid-19. Em nota, o governo afirmou que não utilizará licenças compulsórias para a pandemia de Covid-19.

A nova lei amplia um mecanismo já existente no Brasil, de tornar compulsórias as licenças de fabricação ou importação de fármacos essenciais à saúde pública. Em 2007, o instrumento foi usado para baratear e oferecer a mais pessoas um dos medicamentos de tratamento da Aids, cujo monopólio estava sob as mãos de uma empresa norte-americana. Pela nova lei, a licença compulsória, conhecida como quebra de patente, poderá ser usada de forma mais ágil pelo governo em casos de pandemia. No entanto, os vetos prejudicam a efetividade do mecanismo.

A obrigatoriedade do compartilhamento de todas as informações necessárias para a reprodução da tecnologia licenciada é parte fundamental desse projeto. O sistema de propriedade intelectual é dinâmico e é importante que as legislações para lidar com os problemas gerados estejam atualizadas e tragam instrumentos efetivos para o poder público”, afirma o doutor em Ciências Humanas e Saúde Pedro Villardi, coordenador do Grupo de Trabalho em Propriedade Intelectual.

Se restabelecida sem vetos, a lei criará um novo mecanismo para o licenciamento compulsório de patentes, garantindo ao país mais oportunidades de importação ou produção local de medicamentos, vacinas, diagnósticos e outros produtos de saúde. O objetivo é assegurar que regras de propriedade intelectual não criem situações de desabastecimento ou abuso de preço e inviabilizem o acesso da população.

O veto presidencial desmonta essa iniciativa do Congresso brasileiro, que é hoje uma das mais promissoras no mundo quando se trata de corrigir os desequilíbrios que as patentes estão causando na distribuição equitativa de vacinas e medicamentos”, afirma Felipe de Carvalho, Coordenador da Campanha de Acesso de Médicos Sem Fronteiras (MSF) e integrante do GTPI.

O GTPI aponta que o projeto sofreu oposição de empresas farmacêuticas, que hoje controlam a produção e distribuição de vacinas e tratamentos. “A atuação das grandes multinacionais do setor tem sido marcada por faturamentos bilionários, aumentos regulares de preço, priorização da demanda de países ricos e relutância em compartilhar conhecimentos que permitam ampliar a produção e distribuição de vacinas”, aponta Villardi.

Ao contrário da Fiesp, Febraban reafirma manifesto em defesa da democracia

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) emitiu uma nota oficial em que reafirma o apoio ao manifesto em defesa da democracia intitulado "A Praça é dos Três Poderes". Organizado pela Fiesp, o documento provocou chiliques da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, controlados por indicados de Jair Bolsonaro, além do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Diante da reação, o presidente da Fiesp, o político Paulo Skaf, recuou da medida e adiou a divulgação do manifesto. A Febraban, por sua vez, considera que o objetivo do documento foi cumprido, dada sua ampla discussão pela imprensa nos últimos dias. Ou seja, para o sistema financeiro, o recado ao golpista Bolsonaro foi dado: um golpe jamais será tolerado. 

Confira a nota:

COMUNICADO PÚBLICO DA FEBRABAN

A Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) reafirma o apoio emprestado ao manifesto "A Praça é dos Três Poderes", cuja adesão se deu, desde o início, dentro de um contexto plurifederativo de entidades representativas do setor produtivo e cuja única finalidade é defender a harmonia do ambiente institucional no país.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) assumiu a coordenação do processo de coleta de assinaturas e se responsabilizou pela publicação, conforme e-mail dirigido a mais de 200 entidades no último dia 27 de agosto.

A FEBRABAN considera que o conteúdo do manifesto, aprovado por sua governança própria, foi amplamente divulgado pela mídia do país, cumprindo sua finalidade. A Federação manifesta respeito pela opção do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, que se posicionaram contrariamente à assinatura do manifesto.

Diante disso, a FEBRABAN avalia que, no seu âmbito, o assunto está encerrado e com isso não ficará mais vinculada às decisões da FIESP, que, sem consultar as demais entidades, resolveu adiar sem data a publicação do manifesto.

A FEBRABAN confirma seu apoio ao conteúdo do texto que aprovou, já de amplo conhecimento público, cumprindo assim o seu papel ao se juntar aos demais setores produtivos do Brasil num pedido de equilíbrio e serenidade, elementos basilares de uma democracia sólida e vigorosa.

FEBRABAN - Federação Brasileira de Bancos

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Bolsonaro inaugura crediário para pagamento de combustível

Reportagem de O Popular de hoje mostra que, devido aos astronômicos preços dos combustíveis - Goiânia é a capital com os valores mais altos do país -, alguns postos estão oferecendo parcelamento em até quatro vezes sem juros. Uma ilusão desesperada do consumidor, já que o produto é de uso diário e, em algum momento, as parcelas resultarão em valores acumulados até mesmo superiores do que o valor à vista.

Ninguém poderá dizer que Bolsonaro não deixará nenhum legado ao final melancólico de seu desastroso governo. O Mito criou o crediário do combustível.

quarta-feira, 28 de julho de 2021

Silvio Santos: "O que é bandido, valentão e marginal?" "Bolsonaro", responde auditório

Seria cômico se não se tratasse de coisa séria. Durante um jogo de adivinhação no programa Silvio Santos, em que palavras isoladas são apresentadas aos participantes para que eles cheguem à resposta por associação, o apresentador bolsonarista passou por uma saia justa. 

A primeira palavra, "bandido", valendo dez pontos, não obteve nenhuma resposta correta. Valendo nove pontos, "valentão" também não teve acerto. Com a terceira pista, "marginal", já valendo apenas oito pontos, começaram os chutes: "PCC", "Comando Vermelho", arriscou a primeira. 

Até que veio outra participante. Juntando as pistas, "bandido", "valentão", "marginal", ela não teve dúvidas: "Bolsonaro", respondeu, provocando risos na plateia e calafrios no sogro do ministro das Comunicações.

"Vocês estão fazendo confusão. Não é uma pessoa é alguma coisa que se assemelha, não é um sinônimo, mas é alguma coisa que casa bem com bandido, valentão e marginal", explicou o apresentador. 

Não se sabe se a explicação de Silvio ajudou ou confundiu mais ainda as participantes.

As informações são do Catraca Livre.

Assista ao vídeo, publicado no perfil Bora Conversar Política:

"Não andamos com arma no ombro", diz presidente da Associação Brasileira do Agronegócio sobre "homenagem" de Bolsonaro ao agricultor

Bolsonaro associa agricultor a homem armado
"Esse post não representa os agricultores brasileiros. Não andamos com armas no ombro, mas com o suor de quem trabalha honestamente de sol a sol." A declaração é de Marcello Brito, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), em resposta à "homenagem" do governo Bolsonaro ao Dia do Agricultor. Em uma postagem absolutamente descolada da realidade, o perfil da Secretaria Especial de Comunicação Social no Twitter publicou a foto de uma silhueta de um homem armado diante de uma plantação. 

"28 de julho, Dia do Agricultor. Alimentando o Brasil e o Mundo", dizia a peça, apagada sem explicações após a enxurrada de críticas. "Essa publicação envergonha o setor, as mulheres e homens do campo e o Brasil. Absurdo.", concluiu Brito, em resposta à Secom. Como o post original foi apagado, a postagem do dirigente também não aparece mais. Oficialmente, a Abag não quis se pronunciar.


Já a Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura) emitiu nota cobrando "reconhecimento e respeito" a quem produz alimentos. "Ao invés disso, recebemos do governo federal uma 'homenagem' totalmente desrespeitosa, com a imagem de uma pessoa no campo segurando uma espingarda. Exigimos respeito!", diz o texto.

"A CONTAG repudia totalmente essa postagem feita nas redes oficiais do governo e, enquanto representante dos agricultores e agricultoras familiares, expressa a sua indignação. Ao mesmo tempo, homenageia a todos os homens e mulheres que trabalham debaixo de chuva e de sol, no frio e no calor, de domingo a domingo, com pandemia e sem pandemia, semeando, cultivando e colhendo com amor e dedicação os alimentos que geram vida, saúde, renda e desenvolvimento em todo o País", continua o documento.

Leia a nota completa aqui.

Após o rechaçamento público, a Secom trocou a peça em comemoração à data.

Em grupos de Whats App, bolsonaristas desiludidos com Centrão no comando do governo: "tira militar pra colocar bandido"

A constrangedora subordinação de Jair Bolsonaro ao Centrão, que agora comanda o governo, caiu como uma bomba nos grupos bolsonaristas radicais, aqueles que, até então, encontravam justificativa para todos os desmandos do "Mito". Ciro Nogueira (PP) na Casa Civil e Onyx Lorenzoni (DEM) em mais um ministério ressuscitado, contrariando promessas de campanha, desagradaram até mesmo os maiores lambe-botas do governo.

Vale ressaltar que o próprio Bolsonaro, sempre filiado a partidos alinhados ao Centrão, chamava os parlamentares do grupo de "a alta nata de tudo o que não presta no Brasil". Durante a campanha eleitoral de 2018, o general Augusto Heleno chegou a parodiar os versos "se gritar 'pega Centrão', não fica um, meu irmão".

No grupo Bolsolteiros, adepto do fim do STF e do golpe militar, um militante chamado Roberto desabafa: "difícil seguir apoiando o presidente após disso aqui",  ao comentar notícia de que Ciro Nogueira responde a cinco processos criminais.

Em resposta, outro integrante diz: "desgosto mesmo; fala que vai vetar o Fundão e não veta; tira militar pra colocar bandido", reclama.

Estaria chegando ao fim a lua de mel?




quinta-feira, 22 de julho de 2021

Pra não esquecer, general Heleno: "Se gritar pega Centrão, não fica um meu irmão"

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, general Augusto Heleno, em 2018, desprezava os, agora, novos mandatários do governo que ia "mudar tudo isso aí, talkey?". Em convenção do PSL que lançou Jair candidato a presidente, Heleno cantava alegremente, arrancando palmas e risos da plateia: "Se gritar pega Centrão, não fica um meu irmão".

Pois bem. Agora, com Ricardo Barros, Ciro Nogueira e outros no governo, além do apoio incondicional do mensaleiro e ex-presidiário Roberto Jefferson, o Centrão dá as cartas e virou o novo queridinho de Bolsonaro.

O mundo, como se diz, capota. E a cada dia Bolsonaro vem se revelando o que sempre foi: um medíocre de marca maior.

Canta, general, canta:



quinta-feira, 8 de julho de 2021

Pesquisa XP: rejeição a Bolsonaro mantém tendência de alta; Lula abre 14 pontos em cenário eleitoral

Rejeição a Bolsonaro atinge maior patamar
Mais uma pesquisa, a terceira em uma semana, confirma que a avaliação do governo Bolsonaro segue ladeira abaixo. O levantamento XP Ipespe divulgado hoje revela que 52% dos brasileiros consideram a gestão de Bolsonaro ruim ou péssima. É a maior rejeição desde o início do governo. Em contrapartida, no mesmo período, o número dos que consideram a gestão bolsonarista boa ou ótima despencou para 25%. A tendência de queda na aprovação do presidente se manteve durante as 11 rodadas da pesquisa.

Em um momento em que o governo é confrontado com suspeitas em negociações sobre a compra de vacinas, a percepção de que o noticiário é negativo para o presidente segue em alta e atingiu 60% – indicador que mantém correlação com a avaliação do governo, avalia a XP.

Sobre as suspeitas de desvios, 81% dizem ter tomado conhecimento – elas são consideradas provavelmente verdadeiras por 63%. Para 41% há envolvimento de membros do governo e para 15%, de Jair Bolsonaro. Outros 28% avaliam que há envolvimento dos dois.

Sobre um pedido de impeachment do presidente, há divisão da população: 49% dizem ser favoráveis e 45% são contrários –  há cinco meses, os favoráveis eram 46% e os contrários, 47%.


Lula na frente

A pesquisa mostra também que o ex-presidente Lula mantém sua trajetória de crescimento e atinge 38% das intenções de voto, contra 26% de Jair Bolsonaro. Na sequência aparecem Ciro Gomes (10%), Sérgio Moro (9%), Mandetta (3%), João Doria (2%) e Guilherme Boulos (2%).


Confira os números:



Quando Doria é substituído por Eduardo Leite, do mesmo partido, o governador do Rio Grande do Sul vai a 4%. Nesse mesmo cenário, Moro é substituído por Datena, que pontua 4%. A liderança permanece com o ex-presidente Lula, com 35% – 8 pontos à frente de Bolsonaro, que tem 27%.

Na pesquisa espontânea, Lula e Bolsonaro seguem na frente. O petista oscilou 1 p.p. em relação a junho, e tem 25%. O atual mandatário recuou 2 p.p., e aparece com 22%.

Em simulações de segundo turno, Lula amplia vantagem sobre Bolsonaro e atinge 49%, contra 35% do atual presidente.

Acesse o relatório completo aqui

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Ministro das Comunicações terá que explicar à Câmara desvio de R$ 52 milhões

Fábio Faria terá que explicar desvio de verba (Reprodução)
A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados aprovou agora há pouco requerimento do deputado federal Elias Vaz (PSB-GO) para que o ministro das Comunicações, Fábio Faria, explique o desvio de R$ 52 milhões. O recurso deveria ser aplicado em ações de combate à Covid, mas foi destinado a peças publicitárias de promoção do governo.

"O governo deve uma satisfação não só a nós, parlamentares, mas a toda a sociedade. A verba deveria ser aplicada em campanhas de conscientização, de uso de máscaras e álcool em gel e de incentivo à vacinação, por exemplo. Mas serviu para fazer palanque para Bolsonaro de forma totalmente irregular", explica Elias Vaz.

A verba alocada pela medida provisória 942, de abril de 2020, que liberou créditos extraordinários para o combate à doença, faz parte do Orçamento de Guerra (usado para enfrentar a calamidade pública decorrente da pandemia) e tinha o intuito de informar a população e minimizar os impactos decorrentes da proliferação da Covid-19. Mas, a partir de relatórios solicitados à Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), o deputado Elias Vaz comprovou o desvio do recurso. O parlamentar também analisou documentos públicos da CPI da Covid.

Elias Vaz descobriu que, para promover o governo, a Secom solicitou dinheiro dos Ministérios da Saúde e da Cidadania. Foram realizados quatro TED’s (termos de execução descentralizada) das pastas para a Secretaria. “Do ponto de vista orçamentário, o governo cometeu crime, que precisa ser investigado e os responsáveis devem ser punidos”, destaca.

Por iniciativa do parlamentar, a oposição entregou ao Tribunal de Contas da União representação para fiscalização do desvio. O documento cita como envolvidos nas irregularidades o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello; o ex-secretário especial de Comunicação Social da Presidência da República, Fábio Wajngarten; o ex-secretário especial de Comunicação Social Adjunto, Samy Liberman; o ex-secretário executivo do Ministério da Saúde, Antônio Elcio Franco Filho e o secretário-geral da presidência, Onyx Lorenzoni, que ocupava o Ministério da Cidadania na época da transferência de recursos para a Secom. Eles podem responder por crime de responsabilidade.